Ribeirão Preto, 18 de Dezembro de 2018.

Exposição sobre Canudos e Antônio Conselheiro no Theatro Pedro II

Quadros relatam a experiência de um líder messiânico e a derrota da batalha de Canudos

Exposição sobre Canudos e Antônio Conselheiro no Theatro Pedro II

O Theatro Pedro II vai expor 35 telas em arte naïf que mostram a batalha de Canudos e as várias faces que 13 artistas atribuem a Antônio Conselheiro, líder político e religioso dos sertanejos no interior da Bahia nas últimas décadas dos anos 1890. A exposição será aberta ao público no dia 7 de outubro. Dois dias antes (5/10) completarão 117 anos desde que as forças republicanas exterminaram a população de Canudos (ou Belo Monte), o povoado liderado por Antônio Conselheiro no interior da Bahia.

A guerra, considerada um dos episódios mais sangrentos do país, foi reportada por Euclides da Cunha para o jornal O Estado de São Paulo. Depois, ele a registrou no livro Os Sertões. A série de quadros, que relata a saga de Antônio Conselheiro até a destruição de Canudos, é de Euclides Coimbra, artista naïf ribeirão-pretano que acaba de ser premiado pela Bienal de Arte Naïf de Piracicaba. As obras compõem o acervo do professor e escritor Alexandre Azevedo.

Durante a exposição, que seguirá até 31 de outubro, será exibido um documentário de 15 minutos sobre Euclides da Cunha, cedido pela Casa Euclidiana, de São José do Rio Pardo-SP; e todas as sextas-feiras Alexandre vai ministrar palestras sobre a batalha, Euclides da Cunha e a arte naïf no auditório Meira Júnior, nos períodos da manhã e tarde.

Arte naïf

É caracterizada pela ausência de técnica e sinônimo de “arte ingênua”, tanto pelos traços quanto pelo modo de ver o mundo. A origem remonta a 1886, em uma mostra ocorrida em Paris (França). Veja mais sobre o assunto, na definição de Alexandre Azevedo.

Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos

Antônio Conselheiro foi líder religioso, peregrino, conselheiro, beato e considerado quase um santo para os sertanejos. Construiu sua própria cidade, Canudos, e, com o povo que o seguia (cerca de 24 mil pessoas) resistiu a três expedições republicanas que, na última, acabou por dizimar a população.Clique para ler o texto de apresentação de Alexandre Azevedo.

Serviço

Exposição “Canudos vista pela arte naïf”

Data: de 7 à 31 de outubro

Visitação: de segunda à sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h

Local: Café e auditório Meia Júnior – Theatro Pedro II

Agendamento para escolas: 16 3977.8111

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A arte naïf

O termo arte naïf aparece no vocabulário artístico, em geral, como sinônimo de arte ingênua, original ou instintiva, concebida por autores que não possuem uma formação culta no campo das artes.

A pintura naïf se caracteriza pela ausência das técnicas usuais de representação – perspectiva, forma, composição e utilização das cores, e pela visão ingênua do mundo.

Suas origens remontam ao Salon dês Independents, da Paris dos anos 1886, na qual se exibiram obras de Henri Rousseau (1844 – 1910). No Brasil, figuram nomes como José Antônio da Silva (1909 – 1996), Djanira (1914 – 1979), Cardosinho (1861 – 1947) e Heitor dos Prazeres (1898 – 1966) entre outros.

As telas que compõem a saga de Antônio Conselheiro, a formação de Canudos e a sua derrocada, foram, magistralmente, pintadas por Euclides Coimbra, não à toa xará do grande autor de Os Sertões, uma das obras capitais da literatura brasileira.

Além da fantástica coleção, podemos encontrar também uma série de Conselheiros, pintados por diferentes artistas naïfs como Alex Benedito dos Santos, Sueli, Orlando Fuzinelli, Rodrigo Silva, Titina Toledo, Olinda, Deraldo Clemente, Zeca Maria, Laudelino, Ademir Mello, Ubirajara Jr., Vó Sandra e Francisco Lima.

Alexandre Azevedo

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Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos

Antônio Vicente Mendes Maciel ou simplesmente Antônio Conselheiro é um dos nomes mais conhecidos de nossa história. Líder religioso, este peregrino, conselheiro, beato, quase santo para os sertanejos, construiu sua própria cidadela. Canudos para a República, Belo Monte para o Conselheiro.

Considerado o inimigo nº 1 da República recém-proclamada, Antônio Conselheiro enfrentou, juntamente com os habitantes do arraial, a fúria dos soldados republicanos. Após quatro expedições, Belo Monte não resistiu e, a 5 de outubro de 1897, foi totalmente destruída.

Euclides da Cunha, que fora designado pelo jornal O Estado de S. Paulo, para cobrir a Guerra de Canudos, recolheu um farto material em sua caderneta-de-campo, transformado depois na magnífica obra Os Sertões. As 20 telas expostas, juntamente com as esculturas e retratos de Antônio Conselheiro, são uma viagem no tempo. Portanto, boa viagem!

Alexandre Azevedo

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Fonte: TEXTO & CIA Comunicação

Postado em 06.10.2014



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