Ribeirão Preto, 18 de Maio de 2012.

Campanha Fraternidade aborda a realidade da saúde no Brasil

Foi aberta oficialmente, nesta quarta-feira (22), a Campanha da Fraternidade 2012 (CF), que tem por tema "Fraternidade e Saúde Pública" e o lema "Que a saúde se difunda sobre a terra".

Campanha Fraternidade aborda a realidade da saúde no Brasil

Esta é a 49ª edição da Campanha da Fraternidade desde que foi criada em 1964. O objetivo geral desta campanha é refletir sobre a realidade da saúde pública no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e mobilizar por melhorias no sistema público de saúde.

O texto que segue, o Cônego Francisco de Assis Correia, explica os objetivos da Campanha da Fraternidade 2012:

A saúde integral é o que mais se deseja. O atendimento digno em sua totalidade, sobretudo aos mais necessitados, é um anseio de toda a população e deverá suscitar ações transformadoras.

Objetivo Geral

Refletir sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o  espírito fraterno e  comunitário das pessoas na atenção aos enfermos  e  mobilizar  por  melhoria   no sistema  público de saúde.

Objetivos Específicos

a. Disseminar  o conceito de bem viver e sensibilizar para a prática de hábitos de vida saudável;

b. Sensibilizar as pessoas para o serviço aos enfermos, o suprimento  de  suas necessidades   e   a   integração   na    comunidade;

c. Alertar para a importância da organização da pastoral da Saúde nas comunidades: criar onde não existe, fortalecer onde está incipiente e dinamizá-la onde já existe;

d. Difundir dados sobre a realidade da saúde no Brasil e seus desafios, como sua estreita relação com os aspectos socioculturais de nossa sociedade;

e. Despertar nas comunidades a discussão sobre a realidade da saúde pública, visando à defesa do SUS e a reivindicação do seu justo financiamento;

f. Qualificar a comunidade para acompanhar as ações da gestão pública e exigir a aplicação dos recursos públicos com transparência, especialmente na saúde.

O texto-base (TB) está dividido em três partes:

1ª  parte: Fraternidade  e  a  Saúde Pública (n. 7 a 147);

2ª parte: Que  a saúde  se  difunda sobre a terra (n. 148-225);

3ª parte: Indicações para a ação transformadora no  mundo  da saúde (n. 226-261).

Está síntese do TB, porém, segue  outra ordem. É a seguinte:

1. O que é saúde?

 “Saúde é um processo harmonioso de bem-estar físico, psíquico, social e espiritual, e não apenas a ausência de doença, processo que capacita  o ser humano a cumprir a missão que Deus lhe destinou, de acordo com a etapa e a condição de vida em que se encontra” (TB, 14).

Antigamente  saúde  era   objeto  de  caridade. Hoje, é um direito! Assim estabeleceu a Constituição Brasileira de 1988:

 “A saúde é direito de todos e dever do Estado,  garantindo  mediante  políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção,  proteção e recuperação” (Art. 196)

É preciso, entretanto, que este direito se torne realidade.

Por saúde pública, entende-se tudo que se refere à saúde da coletividade (TB 103).

Para atender a isso, criou-se o SUS, ou seja, o Sistema Único de Saúde. Seus princípios doutrinais são: universalidade, integralidade e equidade (TB 117).

Por universalidade,  entende-se: “a saúde é direito de todos”, deve atender a todo e qualquer cidadão (TB 118).

Por  integralidade,  entende-se    a  exigência de acesso a todos e a qualquer cidadão a todos os serviços que o Sistema de  Saúde  dispõe,  desde  vacinas  até  transplantes (TB 118).

Por  equidade,  entende-se  que  visa assegurar que as ações e os serviços em todos os níveis do  Sistema  Público de  Saúde, mesmo os  mais  sofisticados  e caros, sejam oferecidos a todo cidadão,  sem privilégios (TB 118).

Nos últimos  anos, houve grandes avanços no SUS (Cf. TB 133-138), mas  muitos desafios ainda restam (Cf. TB 146-147).

2. Que a saúde se difunda sobre a Terra

Na Antiguidade, a doença era resultante de forças alheias ao organismo. Recorria-se então, a divindades, a magia e aos ricos.

No Antigo Testamento, a doença  era vista  como castigo de Deus ao pecado do ser humano (Cf. Eclo 30, 27); TB 157-164; sobre o livro de Jó, TB 165-172).

No Novo Testamento Jesus desvincula o nexo  entre  doença  e pecado: Cf. A cura do cego de nascença - Jo 9, 1-41 (TB 173-180);  (Manual da CF-2012, pp. 203-204).

Jesus não apenas  cura os doentes, mas resgata o ser humano, devolvendo-lhe dignidade (TB 183).

Na parábola do Bom Samaritano encontramos o paradigma do cuidado (TB 185-192); Manual da CF-2012: pp. 203-215; 410-411; 457-458; 459-460). Diante da experiência do sofrimento humano, a cruz de Cristo dá-nos a resposta: o amor redentor vence tudo e dá-nos esperança de vida (TB 193-207).

A Igreja, desde o seu início, comprometeu-se com todos os sofredores, através de muitos serviços (TB 208-214) e até hoje o faz, desde a Unção dos Enfermos (TB 215-218),  à pastoral da Saúde (TB 229-239) e às pastorais sociais...

O texto lembra Nossa Senhora como “Saúde dos Enfermos” (TB 219-225).

3. Indicações para a ação transformadora  no  mundo   da  saúde 

São elas:

3.1 A pastoral da Saúde (TB 229-252)

Depois de lembrar seu  sentido (TB 229), seu significado pastoral (TB 230) e como entidade de ação social (TB 231), apresenta seu  objetivo  geral e suas dimensões (TB 232-239).

3.2 A dignidade de viver e morrer (TB 240-247)

3.3 Os    agentes   da    pastoral da Saúde (TB 248-252)

3.4 Propostas de ação para a  Igreja  cooperar  no  avanço do  Sistema   Público  de   Saúde (TB 253). São sete propostas.

3.5 Como as famílias podem colaborar para a saúde se difundir (TB 254-255). São sete propostas.

3.6 Em relação à sociedade em geral (TB 256). São cinco propostas.

3.7 Propostas para a ação em relação a temáticas específicas (TB 257-260). Ao todo dezoito propostas.

3.8 Propostas  gerais  para SUS (TB 260-261). São quatro.

Cônego Francisco de Assis Correia

Pároco Emérito. Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e Doutor em Filosofia pela Unicamp.

Publicado no site da Arquidiocese de Ribeirão Preto (clique para acessar)

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Postado em 22.02.2012



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